sábado, 17 de janeiro de 2015

Três Loucos Amores - Capítulo 8 - "Entre os Lençóis"



O Alan disse que ama você?
Danilo já tinha feito essa pergunta pelo menos três vezes, mas agora estava perguntando pra si mesmo pra tentar se convencer. Não sabia se era o cansaço ou se realmente não estava entendendo bem as coisas.
– E você gosta dele?
– Gosto, mas não desse jeito. Quer dizer... – Malu também estava confusa e exausta. Só queria se jogar na cama. – Não sei, Dan. Não sei o que pensar.
– Não estou entendendo, gente. E vocês dois? E o namoro?
Danilo encarou Benício. Precisava de uma explicação.
– Não estamos mais namorando – ele respondeu um pouco hesitante, mas depois completou: – Eu sou gay.
– Você é gay?
– Você não desconfiava?
Claro que Danilo desconfiava. Mas por que ele tinha assumido isso justamente naquele dia? O que tinha acontecido nas últimas horas?
Sentou-se no colchão e começou a pensar em Maria Luíza com seu irmão. Ele sabia que Alan a amava quando eram adolescentes, mas não imaginava que o sentimento ainda estivesse vivo. E se os dois começassem a namorar? Ele também amava Maria Luíza. Poderia conviver com isso?
– O Alan sempre gostou de você – ele disse, pensando em voz alta.
– Deixa isso pra lá, Dan – pediu Malu e depois sentou ao lado dele.
– Você quer deixar pra lá?
Ela ainda não tinha pensado nas possibilidades, mas não poderia negar que a mensagem de Alan a deixara feliz. Poxa, quem não quer ser amado?
O silêncio de Maria Luíza foi o bastante para Danilo.
Percebeu que não poderia colocar seus sentimentos entre eles. Danilo era seu irmão. Malu era sua melhor amiga. Se eles quisessem ficar juntos e fossem felizes com essa decisão, sua única opção era ficar feliz também.  
– Eu só não quero te magoar – ela finalmente respondeu.
– Não se preocupe com isso. Eu perdooei meu irmão. Ele também me perdoou. Você não vai me megoar se quiser namorá-lo.
Ele não deveria assumir que sentia por ela algo mais forte que amizade. Realmente estava na hora de seguir em frente. Malu era a garota com quem tinha passado a vida inteira. Só isso já bastava.
– Agora assume que gosta do Alan! – brincou Benício, sentando-se também ao lado de Maria Luíza.
– Não vou assumir coisa nenhuma. Agora eu só quero dormir.
– Nossa, eu também.
– Será que nós três ainda cabemos nessa cama?
Eles deitaram de costas sobre o colchão e passaram algum tempo olhando para o teto. Uma lembrança engraçada fez Maria Luíza gargalhar.
– O que foi? – perguntou Benício.
– Nós já quebramos uma cama, lembram?
Os dois rapazes também riram demoradamente.
Danilo se esqueceu de tudo naquele momento. O hospital, o velório, o nome de Juliana inscrito na lápide... Era como se, de repente, ele pudesse fugir da realidade e se sentir feliz novamente. De um jeito sem explicação, imaginou que talvez sua mão também estivesse sorrindo naquele mesmo instante.
Entre os lençóis, os três ficaram abraçados, alegres por estarem juntos.
Sentiam saudade dessa cumplicidade.
Então, um segundo antes de pegar no sono, Danilo decidiu desfazer uma dúvida que estava guardada há anos.
– Agora você vai me dizer o nome do cara, Benício?
– Que cara?
– Por quem você era apaixonado.
Benício pensou se deveria inventar uma mentira qualquer. Mas tinha decidido que deixaria as mentiras no passado, então respondeu:
– Era por você.
Danilo deu uma risadinha presunçosa e depois perguntou:
– E você ainda sente o mesmo?
Em outro momento, Benício responderia que sim imediatamente. Mas depois dos últimos acontecimentos, percebeu que deveria ir com mais calma.
– Eu não sei, Dan.
– Sabe sim! – disse Maria Luíza, intrometendo-se de propósito. Também estava curiosa para saber onde tudo aquilo ia chegar.
– Eu não sei, mesmo! – retrucou Benício.
Então Danilo jogou-se sobre Malu, que estava deitada entre eles, e beijou Benício nos lábios. Ele também queria experimentar essa sensação. Foi um beijo gostoso e carinhoso, sem pressa.
Maria Luíza estava chocada e ao mesmo tempo empolgada, quase soltando um gritinho de animação.
– Pronto, Ben! – disse Danilo. – Agora você já sabe.
Benício não conseguiu falar e quase foi incapaz de organizar os próprios pensamentos. Que atitude maluca tinha sido aquela? Estava perplexo e estranhamento confuso. Deveria estar saltando de alegria, mas sinceramente não se sentia tão empolgado. O beijo tinha sido ótimo. Danilo tinha lábios delicados, como sempre tinha imaginado. Ficou na dúvida se pulava sobre ele ou saia correndo do quarto.
Puta merda. E agora?


♥♥♥


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